sábado, 26 de abril de 2008

CARTA PARA O DR. JORGE PAZ RODRIGUES EM 26 DE ABRIL DE 2008

José João Massapina Antunes da Silva
jjmassapina@hotmail.com



Caro Amigo
Dr. Jorge Paz Rodrigues


Como sempre, e como muito interesse pessoal; cá recebi a sua ultima missiva, relativa, em especial, ao mais do que esperado acontecimento, da candidatura de PSL - Pedro Santana Lopes, á liderança do PPD/PSD.

Na realidade (PSL) é um verdadeiro ‘guerreiro’, temos que o reconhecer, só que infelizmente para o Partido, onde ainda milita, entra sempre nas guerras erradas, nas horas menos apropriadas, e salvo melhor opinião, de outrem, o faz sempre com total falta de propósito e de sensatez.

Os campos de batalha estão já perfeitamente estremados, e, determinadas as estratégias dos competidores com maior capacidade de marcar território, nesta eleição para o novo líder do PPD/PSD.

Sim, digo marcar território, pois que para ganhar realmente a liderança do partido, só existe, neste preciso momento, e no meu modesto entendimento, uma candidatura séria e razoável, e digo mais:

Uma candidatura mais do que necessária, para tentar colocar um pouco de ordem na casa da social democracia portuguesa, enquanto ainda é tempo disso. Depois; pode já ser muito tarde, e o processo destrutivo interno do Partido tão avançado que não tenha mais possibilidade de retorno, e quando chegamos a um ponto de colisão, sem retorno, todos sabem o que isso pode significar em termos políticos.

E que ninguém; pense que estou a ser demasiado pessimista, ou masoquista, com a minha analise da grave situação que o PPD/PSD vive nos dias de hoje, e que muitos parece que não acreditam, e continuam a assobiar para o ar, e a olhar para o lado.

Salvo as devidas e profundas diferenças de gênese de nascimento, crescimento e implantação, nunca se pode olvidar exemplos, como o do PRD, (partido presidencialista feito para manter viva a imagem de Ramalho como caudilho) que deixam na memória; um amargo de boca que pode ocorrer a qualquer força política, em momentos de profundo desgaste interno e externo, como aquele que podemos hoje constatar no PPD/PSD.

Li com muita atenção a sua missiva, repito, e para além de agradecer, desde já, as boas noticias sobre o Nuno, por terras de África, que oportunamente, e obviamente, me debruçarei a estabelecer contato, não podia deixar de; responder, imediatamente, fase ao importante timing que se vive, colocando no ar algumas idéias, que; reputo de importantes no terreno, para que as possam aproveitar, caso assim entendam as mesmas como úteis, ou produtivas para algo.

Desta forma; e voltando a pegar na questão da candidatura possível no momento, séria e razoável, da Drª Manuela Ferreira Leite, não quero deixar a idéia de que os outros candidatos não sejam livres de se candidatar, longe de mim, tal idéia, ou preconceito, antes pelo contrario; foi sempre do forte confronto de idéias e projetos que o Partido saiu reforçado, e sempre que imperou a unanimidade; logo em seguida se deram fortes divórcios internos, de que todos nós nos recordamos muito bem.

O grave, é quando esses confrontos são meras explanações pessoais, como acontece neste momento com algumas candidaturas. Ainda mais grave, é olhar-se para as candidaturas em presença até este momento, em confronto com a candidatura de MFR, e verificar-se que nenhuma vai poder apresentar um projeto de confronto global, e tão somente projetos de projeção pessoal, e de simples marcação de terreno, como se de felinos se tratasse. Um partido não pode ser de forma alguma uma selva, em que de quando em vez, alguns surgem vindos nem se sabe bem de onde, e alçam da perna e urinam para marcar os seus territórios internos esperando uma oportunidade de se tornarem reis da selva.

Partindo da premissa, que espero esteja correta, de que a Drª Manuela Ferreira Leite se vai tentar rodear, dos melhores entre os melhores, que no seu abalizado entendimento pessoal, hoje pode contar, importa, e desde já; não descurar o partido pós-vitória. Ou seja; importa pensar o Partido do dia seguinte.

O Partido do dia seguinte é; aquele Partido com que ela provavelmente vai ficar nas mãos, e que para poder fazer face ás necessidades de estabilidade interna, para poder encarar o terrível ano eleitoral de 2009. Uma estrutura que a nível nacional tem que estar una e coesa, falando e agindo a uma só voz, e nada mais importante que os Órgãos Nacionais tenham uma capacidade de decidir e levar avante o projeto que apresentam aos militantes e aos portugueses. Se assim não for, de pouco vai adiantar surgir um bom líder, uma boa Comissão Política Nacional, uma vez que um Conselho Nacional dividido, e transformado em manta de retalhos e local de conflito interno permanente, ira acabar por destruir todo o trabalho, esforço e dedicação que possam ter.

Entenda meu Caro Amigo Jorge, que não estou a falar de unanimidade, pois isso é o mais terrifico que pode existir, e convive paredes meias com uma ditadura de pensamento e ação. Estou a falar de união na diversidade, o que é totalmente diferente. E considero fundamental que existem muitas e diversas correntes de pensamento dentro do Partido, que debatam até á exaustão cada um dos muitos assuntos, como tantas vezes se teve oportunidade de fazer, nos diversos gabinetes de estudo distritais, e grupos de reflexão interna, que o Partido quando era realmente um Partido organizado, mantinha ativos, Distrito a Distrito, e em muitos Concelhos. Mas claro que estou a falar de um outro PPD/PSD, aquele que funcionava como autentica maquina organizada, aquele que homens como Antonio Capucho, ou mesmo outros depois dele, souberam moldar e implementar, não o PPD/PSD de brincadeirinha que agora observamos, que passa a maioria do tempo a auto flagelar-se e a delinear internamente, como vai conseguir ter menos capacidade de mobilização interna e externa amanhã, aumentando cada vez mais o fosso que o separa do Partido da maioria, e neste caso do governo.

A mensagem de PSL (Estou pronto para mais um combate) é mais do que evidente, é um prenuncio daquilo que idealizou fazer. Ele, como sempre faz, combate muito mais dentro do Partido que fora dele, e prepara-se para iniciar nova batalha de bloqueios internos, como alias, nunca deixou de fazer, desde que assinou a sua ficha de filiação partidária, nos idos anos setenta. Fatos estranhos, no entanto, me deixam surpreso, como por exemplo, a aproximação de Alberto João Jardim, a um modelo político, com o qual nunca se mostrou abertamente identificado. Recordo até uma celebre altercação sua num congresso, salvo erro em Lisboa, em que chegou ao ponto de choque, se não me falha a memória com Ângelo Correia, que estava na mesa dos trabalhos, e em que acusou os que pensavam de um modo muito similar, ao seu pensar de hoje, de Balsemistas, infiltrados, e mais um monte de adjetivos, como se Pinto Balsemão, dentro do PPD/PSD represente, ontem ou hoje, alguma facção, ou algum dia tenha mesmo representado esse tipo de gestação de poder, pois para mim ele foi simplesmente um numero dois, útil para Francisco Sá Carneiro, em determinado momento da vida política, e depois, se em se recordam, até se tornou deveras incomodo e contraventor, e hoje é simplesmente o simpático militante número um como acontece num qualquer clube desportivo... se assim se pode entender.

A importância da construção de listas fortes e determinadas, eleitoralmente, para os diversos órgãos, deve ser algo a ser pensado desde já, desde a primeira hora, para que após uma vitória, não se verifique que afinal, é uma vitória de ‘Pirro’ sempre condicionada pelos apetites maléficos de um Conselho Nacional dividido, e com uma oposição pronta a bloquear toda e qualquer iniciativa, de que o Partido funcione normalmente, e sobretudo para o combate com o seu mundo exterior.

No estado calamitoso a que o Partido chegou, vai ser necessário uma; rápida e grande operação de reorganização interna, para que tudo possa funcionar em pleno, e com uma Comissão Política Nacional, sem uma maioria estável, tal vai tornar-se impossível, e pior do que isso; o Partido ainda se pode afundar mais a nível nacional, mercê de ser ver envolvido em guerrilhas internas estéreis e desnecessárias.

Eu, á distancia física e política a que me encontro, desde já prevejo o surgimento de listas para o Conselho Nacional em quantidade como cogumelos, pois todos vão tentar arranjar espaço para espraiar o seu ego pessoal, e marcar territórios, ao mesmo tempo, que; se eleitos, desde logo irão começar a tentar medir forças e influenciar esta ou aquela posição, muitas vezes até contraria, ao sentido de oportunidade, ou ao projeto que a nova Comissão Política Nacional eleita vai implementar.

É muito importante assim, que a constituição de listas seja criteriosamente, e antecipadamente estudada, para evitar as habituais pressões em cima do palco do acontecimento, e as já bem conhecidas chantagens emocionais e eleitorais.

Outro perigo, para o qual desde já humildemente alerto, é o populismo e caciquismo interno, que funcionam juntos como se fossem uma molécula una e indivisível. Nesse território, realmente PSL é um artífice, e foi mesmo dele e de Menezes, a grande idéia, dessa coisa das diretas, que de diretas pouco ou nada tem, uma vez que possibilitam as maiores barbaridades possíveis e imaginarias, como aconteceu, por exemplo, nas ultimas eleições para a Distrital de Setúbal, onde o candidato vencedor, perdeu em quase todos os concelhos, e não representa a sensibilidade desses militantes, e depois no seu concelho, de origem, apresentou uma autentica ‘chapelada’, que tapou a derrota no geral do Distrito, situação que ninguém até hoje se interessou em estudar. E eu falo do que sei, pois todos nós sabemos muito bem como essas coisas se podem fazer em política, e como uma boa ‘chapelada’, retira a veracidade e legitimidade de um resultado.

Prometo, tal como já o tinha afirmado, continuar a manifestar a minha modesta contribuição, para esta reflexão que em boa hora decidiram fazer, e agradecer a deferência da escolha da minha ultima missiva, para ilustrar entre vocês alguma coisa que entenderam de útil.

Não escondo que aquilo que o meu Caro Amigo Jorge escreve tem alguma veracidade. A política continua-me a correr realmente nas veias, com alma e vibração, e não posso esconder também que as preciosas linhas que pude ler do felizmente sempre incontornável e frontal Nuno Rebocho, me calaram bem fundo, e que não foi só ele a ficar emocionado, pois que também eu fiquei, chegando ao ponto de fechar os olhos e visionar em poucos segundos, aquilo que um dia o PPD/PSD já foi, e que sem ser saudosista acredito que pode voltar a ser, obviamente noutros moldes e atualizado, pensando no melhor futuro possível para Portugal e para os portugueses.

Contribuição importante, não é a minha individualmente! Importante é sentir que Queiroz Martins, António Justo, Dias da Costa, Américo Centeio, Helder Martins, Pinto Coelho, Luis Cunha, Nuno Rebocho, Paulo Martins, Jorge Rodriques, e eu próprio, e todos os outros, e que me perdoem a omissão de alguns nomes, tem sabido dar de modo totalmente alheio a interesses pessoais neste trabalho de análise e síntese.

Caro Amigo Jorge, sirvo-me de si como transmissor de um forte abraço para todos, prometendo regressar a estes temas, que nos são tão caros, sempre e quando tal se mostre oportuno.

Faço votos para que os candidatos de cada um dos militantes em presença tenham a dignidade de saber honrar o bom nome do PPD/PSD, que mesmo agora; que sou um cidadão livre e independente de militâncias, não gostaria de ver de modo algum conspurcado, pois que a sua história política, a do PPD/PSD é muito mais elevada, que todo e qualquer atentado que alguns oportunistas possam tentar fazer. Os homens passam e o Partido ficara sempre indelevelmente marcado na vida e história política de Portugal.

Esperemos que algo realmente mude, para que tudo não fique na mesma ou pior ainda...

Um forte abraço de amizade e saudação pela sua e vossa importante integridade e estatura enquanto cidadãos livres e, sobretudo democráticos.

Atentamente, ao dispor,

João Massapina

Um comentário:

Roberto Moreno disse...

Caro Massapina, quando no final da vossa carta diz: "Um forte abraço de amizade e saudação pela sua e vossa importante integridade e estatura enquanto cidadãos livres e, sobretudo democráticos" - Acrescento o seguinte: - Quando, o Caso Hotel Sheraton X Fundação Geolíngua, vier a público, os leitores do seu blog ficarão de queixo caído, pois, os Tribunais e o Magistério Publico, ainda não ouviu tudo o que EU e o Jorge da Paz Rodrigues, sabemos sobre este escândalo de INJUSTIÇA que está a ocorrer, desde 2004 até hoje, e com o ensurdecedor silêncio, de “bons” advogados e jornalistas, que conhecem, com detalhes, tudo o que se esta a passar. O caso dos litigios que há entre o Hotel Sheraton e a Fundação Geolingua, e que está pendente de uma decisão do Tribunal de Comércio de Lisboa, entre outros, será objeto de um livro, de uma peça de teatro e de um documentário para cinema, pois, é um caso, paradigmático e bizarro e que irá colocar a NÚ, a “Justiça” neste caso em partucular. – Algo semelhante, em termos de pré-julgamento, aconteceu em 1506 em Lisboa e, a história está a se repetir.

Quero entretanto salientar que, este comentário é colocado neste seu blog e neste tema “politico”, porque o mesmo serve para despertar a curiosidade de alguns partidos políticos e homens de bem. – Um abraço e para maiores informações entrar em contacto com Roberto Moreno – 966 054 441 – geo@geolingua.org